O Sonho de Ser Pai Mesmo Depois da Vasectomia

Urologista explica como funciona o procedimento médico e ressalta as chances de concepção depois da cirurgia
Ter um filho é uma experiência inexplicável, tanto para as mulheres, quanto para os homens. Desde o momento da concepção até o nascimento, os pais criam uma intensa expectativa de como será aquela nova vida que os preencherão de alegria. Mas por conta de motivos pessoais ou financeiros, muitos casais resolvem optar por não ter filhos ou então por uma família mais enxuta, e, então, decidem procurar por métodos contraceptivos. Neste momento, a realização pela laqueadura ou vasectomia acaba sendo uma opção (contraceptiva definitiva), já que o casal deixa de correr qualquer tipo de risco de engravidar.
De acordo com o urologista da Criogênesis, Dr. Silvio Pires, apesar dos homens ainda sentirem certo receio quanto à realização da vasectomia, principalmente por relacionarem o procedimento à (risco) impotência e perda da masculinidade, tais pensamentos não passam de mito. “A vasectomia é uma cirurgia muito simples, rápida e segura. O paciente não precisa estar em jejum e logo na sequência já pode ser liberado para voltar para casa. Muitos, inclusive, vão direto para o trabalho”, explicou o médico. O procedimento impede que os espermatozoides (produzidos nos testículos cheguem às vesículas seminais e) sejam ejaculados, através do corte, amarração ou fechamento com grampos dos canais deferentes, que ligam o epidídimo (tubo longo e enrolado, onde os espermatozóides ficam armazenados) à uretra.
Dr. Pires também explica que a cirurgia pode ser feita em homens com mais de 18 anos, que tenham mais de dois filhos, ou acima dos 25, com ou sem filhos, em sistemas privados e públicos de saúde. Entretanto, ele não aconselha que ela seja realizada por homens muito jovens. “Apesar de ser um procedimento bastante eficaz e indolor, a decisão deve ser tomada com muita cautela, para não haver arrependimentos futuros. É uma opção radical, sendo que, para contracepção existem outros métodos, como preservativos, pílulas, DIU, dentre outros”.
Mas, caso um homem seja vasectomizado, ele nunca mais poderá ter filhos biológicos? Na verdade, até três meses após a cirurgia, o homem ainda pode engravidar uma mulher pelos métodos naturais, por ainda haver a chance de ter espermatozoides nos primeiros espermas – dai a necessidade de realizar o espermograma. Após esse período, as possibilidades diminuem, chegando a serem nulas, e a chance de concepção só será possível por meio de três opções, como Dr. Silvio Pires explica a seguir:
REVERSÃO
Apesar de não ter 100% de certeza de sucesso, as chances são maiores para aqueles que realizaram a vasectomia há menos de cinco anos, pois, quanto mais cedo à reversão for feita, a quantidade e a qualidade dos espermatozóides vão ser mantidas e a reprodução será possível. Já, quanto mais tempo demorar, o corpo irá começar a criar uma forma de defesa contra essas células, uma vez que não são liberadas. “Até cinco anos da cirurgia, a probabilidade de gravidez é de 70%. Até 10 anos é de 45% e, acima dos 15 anos, a chance cai para 31%”, esclarece o médico. Esta ainda é uma opção indicada para aqueles que desejam ter mais de um filho e a mulher não possui problemas de fertilidade.
PUNÇÃO NO TESTÍCULO
Nos casos que a o procedimento foi feito há mais tempo, a indicação é a punção direta do espermatozóide no testículo (ou epidídimo). Uma vez coletado, o material segue para análise em laboratório e, em seguida, é feita a reprodução in vitro. No entanto, este é um procedimento que não pode ser repetido por diversas vezes. Pode ser realizado, no máximo, até quatro punções, a fim de evitar quaisquer danos ao paciente.
BANCO DE SÊMEN
Em algumas situações, o paciente ainda pode congelar seus espermatozóides antes da realização da vasectomia. Assim, o material fica em um banco, podendo ser utilizado, através da reprodução assistida.
O urologista ainda ressalta que, todas essas opções não possuem 100% de garantia sucesso, pois dependem de muitos fatores, dentre eles, a qualidade do sêmen do homem e o estado fértil da mulher. Por isso, a necessidade de acompanhamento médico especializado.

 


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