Técnica com célula-tronco indica possível tratamento para endometriose, aponta estudo

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Pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, descobriram um modo de reprogramar células-tronco que pode tratar doenças como endometriose, infertilidade causada por fatores uterinos e câncer do endométrio, a camada interna do útero. É a primeira vez que alguém consegue estabelecer um protocolo para essa reprogramação.

Os cientistas conseguiram fazer com que células-tronco pluripotentes induzidas se transformassem em células uterinas saudáveis a partir de processos hormonais. A pesquisa foi publicada na revista científica Stem Cell Reports.

“As células endometriais normais podem, então, ser inseridas na cavidade uterina para substituir células defeituosas. A partir daí, podemos resolver o problema da resistência à progesterona e essas células podem ser usadas, no futuro, para criar um novo útero inteiro”., explica Serdar Bulun, médico ginecologista líder do estudo.

“É uma descoberta enorme. Abrimos a porta para tratar a endometriose”, completa. Hoje, o único tratamento definitivo é por meio de cirurgia, diz Igor Padovesi, ginecologista especialista em endometriose do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Existem medicamentos que são utilizados para controlar a doença.

Padovesi explica que a progesterona é um hormônio feminino que inibe as células da endometriose. Quando existe resistência a esse hormônio, essas células continuam crescendo.

“Em quase todas as mulheres, existe uma menstruação que não vai embora pela vagina durante o ciclo, chamada de menstruação retrógrada, que volta e é eliminada pelo organismo. Na endometriose, ela não é eliminada, e começa a se espalhar por outros órgãos”, explica Padovesi. Ele diz que isso está associado a fatores genéticos e imunológicos que não são completamente conhecidos.

A endometriose afeta aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo o estudo da Northwestern. É uma das causas mais comuns para a infertilidade.

“Existe um fator inflamatório que cria um ambiente hostil à implantação do embrião”, explica Padovesi. Ele destaca, no entanto, que a doença somente dificulta, mas não impede a gravidez. Entre os sintomas da doença estão cólica menstrual forte, dor na relação sexual, dor entre as menstruações, infertilidade, dor ao defecar ou ao urinar, sangramento na urina ou nas fezes.

Fonte: Portal G1


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