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A Covid-19 pode criar um desajuste no sistema de coagulação de grávidas que pode ser fatal. Procuramos especialistas para entender o caso

Desde abril, grávidas passaram a ser reconhecidas como integrantes do grupo de risco do coronavírus, devido a tendência de desenvolverem quadros mais graves em decorrência de doenças respiratórias. Um exemplo disso foi o caso da médica Romana Novais, esposa do DJ Alok, que estava com 32 semanas e precisou dar à luz Raika através de um parto normal de emergência após complicações na gestação ao testar positivo para Covid-19.

Quem explicou com detalhes o que aconteceu foi a própria Romana, em uma série de stories no seu perfil do Instagram. A médica contou que, após tomar uma das vacinas necessárias à gestante, começou a sentir dores no corpo e na região da aplicação. Isso fez com que ela pensasse que era apenas reação da dose. Entretanto, com o passar dos dias, o incômodo corporal começou a piorar, o que fez com que ela e Alok decidissem fazer o teste do coronavírus.

O do DJ saiu primeiro, dando positivo, o que levou Romana a crer que também estava e, mais tarde, ter a confirmação por meio do exame. Junto com as dores fortes pelo corpo e febre, a médica começou a sentir contrações e procurou pelos obstetras que a acompanham. Eles realizaram um ultrassom, constatando que estava tudo bem com o bebê, mas quando Romana foi descer da maca, ela começou a ter um sangramento vaginal intenso, mais tarde reconhecido como um quadro de CIVD, que explicaremos a seguir.

Já na maternidade, a grávida estava com sete centímetros de dilatação e o quadro de CIVD se deu pela trombose na placenta, o que levou ao descolamento prematuro do órgão gestacional e a necessidade do nascimento do bebê às pressas.

O que é CIVD?

Segundo o hematologista Nelson Tatsui, diretor técnico da clínica Criogênesis, CIVD é a sigla para “Coagulação Intravascular Disseminada”. “Ela não é propriamente uma doença, mas uma condição clínica secundária a diversos gatilhos que induzem a uma ativação do sistema de coagulação“, pontua.

Em um cenário comum, esse incentivo à coagulação é equilibrado e até mesmo passageiro, como acontece ao nos machucarmos. “Porém quando é forte, resultando em consumo elevado de proteínas da coagulação e de plaquetas, formação de coágulos nos vasos ou trombose, resultando em dificuldade de suprimento aos órgãos e sua falência, esta condição potencialmente letal é chamada de CIVD”, esclarece o hematologista.

Os fatores que podem desencadear a CIVD em gestantes

Como foi explicado por Dr. Tatsui, a CIVD acaba sendo provocada por outras condições pré-existentes. Nos casos das gestantes, ela pode ser resultado de quadros conhecidos como pré-eclâmpsia e descolamento prematuro da placenta.

Junto com eles, Gilberto Nagahama, ginecologista e obstetra do CEJAM, cita outros exemplos como: tromboembolismo amniótico, sepse por endotoxinas (gravíssima infecção na gestação) e quando há a retenção do feto que veio a óbito dentro do útero.

Além do que a literatura já alertou os especialistas há tempos, Nagahama explica que estudos têm associado quadros de CIVD causados pela presença do coronavírus durante a gravidez. “E que fique muito claro que este evento pode acontecer em qualquer momento da gestação independente da idade gestacional”, enfatiza o obstetra.

A relação entre CIVD e o coronavírus

Assim como Nagahama, a ginecologista e obstetra Erika Kawano afirma que, por pesquisas mais recentes e casos vistos na prática, o coronavírus pode desencadear a CIVD. Isso porque a infecção respiratória está ligada diretamente com o que os médicos chamam de mudança na cascata de coagulação. Isto é, mexe na sequência de eventos que acontecem no fígado, associados às plaquetas, para que o sangue coagule de maneira correta.

Assim, tanto a Covid-19, quanto as outras alterações que levam a CIVD, faz com que ocorra uma ativação exagerada da coagulação, formando trombos e hemorragias ao mesmo tempo.

“O organismo começa, em cascata, a produzir muito depósito de fibrina (proteína que, junto com as plaquetas, detém a hemorragia) nos vasos sanguíneos. Isso leva a uma produção exarcebada dos agentes de coagulação que vão resultar em múltiplos trombos. Só que ao produzi-los em larga escala, chega um momento que consumimos tanto os fatores de coagulação e há um limite de sua produção, que começamos a sangrar pela falta deles e das plaquetas”, esclarece Erika.

A especialista ainda pontua que esses trombos não acontecem apenas na placenta, mas em todos os locais que têm vasos – como rim, fígado, e até mesmo no cérebro – e por isso o quadro recebe o nome de coagulação intravascular disseminada.

No caso das gestantes, a presença dos microtrombos na placenta pode levar ao seu descolamento e, possivelmente, a um parto prematuro, além da ocorrência de um quadro de CIVD que pode ser fatal. Pensando nisso, tanto o público geral infectado pelo coronavírus quanto as grávidas que apresentam estados mais avançados da doença têm a retaguarda de um tratamento que se preocupa com a coagulação sanguínea para prevenir possíveis agravamentos.

Fonte: revista Bebê


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O volume de negócios vem crescendo nos EUA para empresas de congelamento de esperma que vendem kits de coleta em casa

O volume de negócios vem crescendo nos EUA para empresas de congelamento de esperma que vendem kits de coleta em casa, segundo uma reportagem do site americano “Daily Beast”, graças em parte ao medo, ainda não comprovado, de que o novo coronavírus reduza a fertilidade.

Gerente de operações de coleta em casa da CryoChoice, Heather Kilpatrick diz que vem recebendo muitas consultas de pessoas com medo da Covid-19 desde que os EUA entraram em regime de distanciamento social por conta da pandemia. Mas, em vez de apenas perguntar ou cancelar pedidos, muitos deles querem comprar: as vendas subiram até 20% nas últimas semanas.

Os funcionários da Legacy, startup de coleta de esperma em casa, afirmam ao “Daily Beast” ter recebido até 10 vezes o volume normal de pedidos nos últimos dias. E os profissionais por trás da Dadi, outra start-up do setor, dizem que não só viram um as vendas triplicarem, como mais pessoas do que nunca estão comprando armazenamento de esperma para períodos de cinco anos ou mais.

Essas empresas – que enviam os kits de coleta de esperma, fazem testes de laboratório nas amostras recebidas e prometem armazenar criogênicamente os espermatozóides viáveis ​​- parecem ter escapado da devastação que assola a economia dos EUA. Tom Smith, diretor-executivo, admite que ficou surpreso, pois “realmente pensou que haveria uma queda significativa” nos negócios quando os americanos entraram em regime de isolamento.

Parte desse aumento na procura, afirma a reportagem, pode ser apenas porque as empresas de kits domésticos estão absorvendo a demanda das clínicas de fertilidade, que diminuíram as operações ou fecharam completamente suas portas em razão da pandemia. Mas os negócios das companhias ouvidas pelo “Daily Beast” parecem estar em alta em grande parte por causa do interesse de pessoas que não estavam procurando bancos de esperma antes da crise.

Essa nova preocupação com congelamento de esperma provavelmente decorre dos temores sobre os possíveis efeitos do vírus na fertilidade. No momento, não há evidências de que a Covid-19 possa ter um impacto a longo prazo nesse sentido, em homens ou mulheres. O vírus não foi detectado no sêmen ou no fluido vaginal.

No entanto, do fim de fevereiro a meados de março, surgiram rumores de uma teoria apresentada por médicos chineses, baseada mais em especulações do que em evidências, de que a doença poderia afetar os testículos e, talvez, a fertilidade masculina, segundo o “Daily Beast”. Um estudo divulgado e divulgado no fim de março sugeriu ainda que o estresse prolongado que as pessoas estão sentindo agora pode ter um efeito prejudicial a longo prazo no esperma.

Fonte:Portal Globo.com


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Argentino campeão do US Open de 2009 fará tratamento em Porto Alegre 

Reportagem do jornal GauchaZH, o Zero Hora, traz informação que o ex-top 3 e ídolo argentino, Juan Martin del Potro, irá realizar tratamento com células-tronco em Porto Alegre. O tratamento se chama BMAC (concentrado aspirado de medula óssea, na sigla em inglês).

Após o tratamento ele iniciará a fisioterapia no mesmo dia. O procedimento irá consistir na aplicação de células da medula óssea do próprio jogador na região lesionada, com o objetivo de acelerar a recuperação. Em seguida, o fisioterapeuta da seleção brasileira de atletismo, Luiz Fernando Garcia, o Pato, iniciará o processo de fisioterapia complementar ao procedimento.

“A fisioterapia é fundamental para quem faz a aplicação, pois ajuda a reduzir inchaço, desconfortos, além de fortalecer a musculatura e ajudar no retorno da confiança em relação a lesão. Vamos realizar alguns testes e ver como ele reage ao tratamento, mas o objetivo é já começar com exercícios de reforço muscular e buscar aumento da amplitude do movimento da articulação”, disse Garcia em entrevista ao GauchaZH.

O Tênis News apurou que o tenista passará alguns dias em Porto Alegre para o tratamento. A fisioterapia vai depender do que os médicos disserem após a realização.

Delpo não joga desde junho de 2019. Ele sofreu lesão no joelho ainda no fim de 2018, em outubro, durante o torneio de Xangai, na China, tentou jogar alguns torneios em 2019, mas desde então não consegue entrar em quadra, mas avisou recentemente que quer disputar a Olimpíada de 2021.

Fonte: Portal Lance


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A boa notícia é que nas sequelas reprodutivas graves por essas doenças, os portadores podem buscar a reprodução assistida para tentar uma gravidez

Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como HIV, HPV e Chlamydia trachomatis, podem ser responsáveis por alterar a qualidade do sêmen, sendo uma possível explicação para casos de infertilidade masculina sem causa aparente. Essa é uma das conclusões de um artigo sobre o impacto dessas doenças na fertilidade do homem, publicado no Jornal Brasileiro de Reprodução Assistida (JBRA Assisted Reproduction), da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), de autoria de Ana Carolina Goulart, Hana Carolina Farnezi, Juliana França, Adriana dos Santos, Mariana Ramos e Maria Lectícia Penna, da Faculdade de Ciências Humanas, Universidade FUMEC, Belo Horizonte (MG).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem mais de 30 espécies de bactérias, vírus, protozoários e fungos que podem ser transmitidos por contato sexual e, a cada dia, mais de um milhão de pessoas são infectadas. Além de serem responsáveis por doenças agudas e graves com consequências físicas e psicológicas, inclusive a morte, essas patologias podem estar associadas à infertilidade masculina, chegando a ser a causa de cerca de 15% dos casos. O objetivo do estudo foi investigar especificamente a relação entre o vírus do HIV e do HPV e a Chlamydia trachomatis e a dificuldade do homem de gerar uma gravidez naturalmente.

De acordo com o artigo, os processos infecciosos associados ao HIV, ao HPV e à Chlamydia trachomatis podem interferir na qualidade seminal causando infertilidade masculina. O urologista Filipe Tenório Lira Neto, especialista em fertilidade masculina e membro da SBRA, explica como os agentes causadores dessas doenças podem interferir na fisiologia do aparelho reprodutor masculino e prejudicar o sêmen em termos de motilidade, concentração, morfologia e número de espermatozoides.

“As infecções por clamídia podem provocar obstrução dos epidídimos e causar azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen). Além disso, a bactéria pode ser encontrada dentro dos espermatozoides, diminuindo a motilidade e alterando sua morfologia. Já o HPV pode ligar-se aos espermatozoides, diminuindo a sua motilidade e causando danos ao seu DNA. No caso do HIV, a sua presença está ligada à diminuição da qualidade do sêmen, mas ainda não está claro se isso decorre do próprio vírus, de infecções oportunistas ou de medicações”, explica o urologista.

Gravidez, um sonho possível – Apesar dos danos causados, existe uma boa notícia para homens infectados por HIV, HPV ou Chlamydia trachomatis que desejam ser pais biológicos, mesmo que o acometimento com repercussão no aparelho reprodutor masculino seja severo: o sonho pode ser realizado por meio da reprodução assistida. “Pacientes infectados por clamídia podem ser medicados com antibióticos e submetidos a todos os tratamentos de reprodução humana sem nenhuma restrição. O mesmo se aplica aos pacientes com HPV, desde que não apresentem nenhuma lesão verrucosa ativa”, explica Lira Neto.

No caso dos portadores de HIV, ele afirma que podem ser submetidos à reprodução assistida desde que tenham a doença controlada com a terapia antirretroviral, apresentem boa imunidade, sem infecções associadas e de preferência com ausência do vírus no sangue. “Mesmo assim, os cuidados com a manipulação dos gametas e embriões devem ser redobrados para evitar contaminação. As opções de tratamento para casais sorodiferentes (a mulher soronegativo e o homem portador do vírus HIV) são a inseminação intrauterina e a fertilização in vitro”, explica o especialista.

Graças ao avanço da medicina, os procedimentos de reprodução assistida têm sido cada vez mais bem-sucedidos, oferecendo mais segurança para os casais submetidos ao tratamento. “Por exemplo, hoje, exames moleculares mais precisos identificam facilmente a clamídia, o HPV e outros patógenos no sêmen. No caso do HPV, a vacinação contra o vírus pode ajudar a erradicar os tipos mais agressivos, que também são os mais associados à infertilidade masculina. Em relação ao HIV, estudos recentes têm demonstrado que, para casais em que os homens apresentem carga viral indetectável, imunidade normal e ausência de outras infecções, a gravidez natural pode ser uma opção segura”, esclarece o urologista.

No entanto, a melhor atitude em relação às ISTs continua sendo a prevenção e a busca de orientação médica em caso de suspeita de infecção. “Usar preservativos é a maneira mais segura e eficaz de prevenir ISTs, além de evitar situações de risco, como relação sexual sob uso de drogas ou álcool. É importante manter a higiene diária do pênis e ficar atento a sinais e sintomas de infecções do sistema genital, como verrugas, ardência ao urinar, dor durante a relação sexual e feridas no pênis”, finaliza Lira Neto.

Fonte: Jornal Folha Vitória


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Armazenamento, multiplicação e preservação do material é uma forma cada vez mais concreta de manter a saúde das novas gerações

A ciência avança de forma acelerada. Hoje, a partir de células-tronco embrionárias retiradas do dente de leite das crianças, já é possível uma reprogramação celular capaz de auxiliar na regeneração de diversos tipos de tecidos e órgãos, tais como: pele, células beta (pâncreas), cartilagem, tecido nervoso e adiposo, ossos, tecido cardíaco, fígado, dentes e músculos. Além disso, a cura para doenças hoje consideradas incuráveis como Alzheimer, Autismo e até Câncer, tornam-se mais próximas.

Tal processo já ocorre em laboratórios e a cada dia está mais próximo e acessível a todos. O procedimento é feito por meio de um acompanhamento e monitoramento do processo desde o momento da extração do dente no consultório odontológico até a chegada ao laboratório. Quanto mais cedo for feita a retirada, mais jovens serão as células coletadas, melhores os resultados e a qualidade do material.

“O cirurgião-dentista é muito importante neste processo, pois o dente deve ser extraído de forma apropriada e encaminhado ao laboratório de acordo com protocolo. Aliás, pelo fato de a medicina regenerativa unir várias áreas, este profissional é da mais alta relevância para a difusão deste conhecimento à população”, assegura o cientista, José Ricardo Muniz Ferreira.

De acordo com ele, a partir de técnicas empregadas, estará garantida a qualidade e a multiplicação do material. A criança terá as células armazenadas por tempo indeterminado e, caso seja necessário, poderá fazer uso em qualquer fase da vida.

“O cirurgião-dentista deve estar informado sobre a odontologia regenerativa. É importante que se atualize constantemente a respeito para que tenha novos argumentos, informações e, principalmente, possa assumir o papel de educador sobre o tema”, explica o cientista.

O procedimento garante que, futuramente, a pessoa tenha a segurança de tratamentos adequados, tendo em vista que o uso de seu próprio material genético evita possíveis rejeições, em casos como transplantes de órgãos, por exemplo. Os tratamentos com células-tronco estão cada vez mais acessíveis e eficazes.

Por isso, o armazenamento, a multiplicação e a preservação dessas células são uma forma cada vez mais concreta da ciência em preservar a saúde e superior qualidade de vida das novas gerações. “Nesse sentido, é da mais alta relevância que o cirurgião-dentista não apenas informe os pais, mas também busque alertá-los e responsabilizá-los pelo futuro de seus filhos pois o que está em jogo é a saúde e a vida dos pequenos”, afirmou Ferreira.

Fonte: Jornal Folha Vitória


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Sintoma clássico do último trimestre, o inchaço pode ser aliviado com alguns cuidados simples. Confira:

Reconhecendo os sintomas – Assim como tantos outros sintomas, o inchaço na gravidez é uma decorrência natural das transformações do corpo feminino para abrigar o bebê durante sua formação. O aumento da capacidade cardíaca, por exemplo, acarreta maior volume de sangue bombeado por todo o corpo – e aqui estamos falando de nada menos do que cerca de 25% a mais de líquidos, entre sangue e outros fluídos corporais, em comparação a uma mulher adulta que não esteja grávida.

“Além disso, os órgãos sofrem alterações. O útero aumenta e acaba por pressionar as veias da região da pelve, o que também afeta a circulação de sangue nas pernas. Temos ainda maior concentração de hormônios, estrógeno e principalmente progesterona, conhecido como um dos hormônios que contribuem bastante para a retenção de líquidos”, explica o Angiologista e Cirurgião Vascular Ary Elwig.

Investigando as causas – Apesar de comum durante a gravidez, o inchaço pode ter causas anteriores à gestação, por isso é fundamental que a mulher seja examinada por um especialista.

“Doenças como varizes, hipertensão, problemas renais, cardíacos e trombofilia precisam ser investigadas, pois também podem agravar o quadro do inchaço ou até aumentar os riscos da gestação”, analisa Ary.

MAS ATENÇÃO: a trombofilia, condição genética ou adquirida que aumenta a possibilidade de formação dos coágulos, popularmente conhecidos como trombose, é um fator particularmente delicado, pois requer tratamento específico e exames constantes para evitar a formação de trombose venosa.

Aliviando o desconforto – Mesmo que o próprio corpo desenvolva características que acabam favorecendo o inchaço nesse período, ainda assim, é possível aliviar os sintomas com algumas dicas simples:

  • Eleve os pés da cama na hora de dormir: isso ajuda na circulação do sangue das extremidades do corpo de volta para o coração;
  • Evite ficar muito tempo sem movimentar as pernas, seja em pé ou sentada;
  • Use meias de compressão, sempre com a orientação do Angiologista ou Cirurgião Vascular;
  • Pratique exercícios durante a gravidez, principalmente caminhadas. Vale até aquela voltinha dentro de casa, o importante é estar em movimento sempre que possível;
  • Reduza o consumo de sal, pois o sódio também contribui para a retenção de líquidos;
  • Conte com o apoio da drenagem linfática, que ajuda a circulação do sangue e alivia o desconforto local;
  • Evite temperaturas extremas, que também contribuem para a dilatação ou a constrição excessiva dos vasos;

Depois do parto, o inchaço tende a diminuir rapidamente, aponta o Dr. Ary. “Com o trabalho de parto e o alívio físico da região da pelve ocasionado pelo nascimento do bebê, a circulação rapidamente melhora. Se o inchaço não aliviar, é indicado que a paciente procure seu médico para verificar o quadro”, completa.

Fonte: portal Mulher e gestação


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As células-tronco apresentam capacidade de diferenciação e autorrenovação. Por essa razão, podem ser usadas no tratamento de doenças degenerativas.

As células-tronco destacam-se pela capacidade de se transformar em diferentes tipos celulares, ou seja, são células com grande capacidade de diferenciação. Essas células encontram-se em um estágio em que não estão completamente especializadas, o que permite que elas sejam programadas para desempenhar qualquer função.

Além de sua capacidade de diferenciação, as células-tronco destacam-se por sua capacidade de autorrenovação. Isso quer dizer que essas células são capazes de proliferar-se e gerar outras células-tronco idênticas.

Diferentes tipos de células-tronco

Costuma-se classificar as células-tronco em diferentes tipos: células-tronco totipotentes, células-tronco embrionárias, células-tronco adultas e células pluripotentes induzidas.

  • Células-tronco totipotentes:são capazes de formar células de qualquer tecido do corpo, inclusive tecidos embrionários e extraembrionários. Costuma-se dizer que esse tipo de célula é capaz de originar um organismo por inteiro. Como exemplo de células-tronco totipotentes, podemos citar o zigoto e as células provenientes de seu desenvolvimento até a fase de mórula;
  • Células-tronco embrionárias:Essas células são também chamadas de pluripotentes, pois são capazes de transformar-se em qualquer tipo celular de um indivíduo adulto. As células-tronco embrionárias não podem gerar tecidos extraembrionários, sendo esse um critério para diferenciação. Essas células são obtidas do embrião em uma fase de desenvolvimento chamada de blastocisto. Nessa etapa do desenvolvimento, ainda não ocorreu diferenciação celular;
  • Células-tronco adultas:Essas células são também denominadas de células-tronco multipotentes, pois, diferentemente das células-tronco embrionárias e totipotentes, elas não são capazes de se diferenciar em todos os tipos celulares existentes. As células-tronco adultas são capazes apenas de gerar células do tecido que originaram. Esse tipo de célula é obtido, por exemplo, na medula óssea humana e no sangue do cordão umbilical;
  • Células pluripotentes induzidas:Essas células são criadas em laboratório a partir da reprogramação do código genético. Após ser reprogramada, uma célula adulta é capaz de voltar ao seu estágio de célula-tronco embrionária.

Importância do uso de células-tronco na Medicina

Na Medicina, as células-tronco apresentam grande utilidade, pois podem ser utilizadas para substituir as células doentes. Com essa técnica, conhecida como terapia celular, é possível tratar diferentes doenças. Diversos estudos têm mostrado a eficiência das células-tronco na reconstituição de tecido cardíaco após infarto e no tratamento de doenças neurológicas, por exemplo. Assim sendo, são fundamentais estudos na área para que se conheça melhor o funcionamento dos diferentes tipos de células-tronco e em que doenças elas são mais eficientes.

É importante salientar que transplantes de células-tronco adultas são feitos desde a década de 1950 pela técnica de transplante de medula óssea. Essa técnica, consideravelmente eficiente, têm sido utilizada para tratar doenças que afetam o sistema hematopoiético, responsável pela produção de células sanguíneas.

Fonte: Portal Uol


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As técnicas de reprodução assistida, foram desenvolvidas para o tratamento da infertilidade conjugal, e tem como objetivo aumentar as chances de uma mulher engravidar. Podem ser divididas em baixa e alta complexidade, sendo baixa complexidade relação sexual programada (RSP) e a inseminação intrauterina (IIU) e alta complexidade a fertilização in vitro (FIV) e suas variantes.

Popularmente conhecida desde 1978, quando nasceu Louise Brown, o primeiro bebê concebido por meio da técnica, a FIV foi desenvolvida inicialmente para solucionar problemas de infertilidade provocados por obstruções nas tubas uterinas. Nos últimos anos, entretanto, a técnica evoluiu bastante e passou a ser utilizada como opção para diferentes problemas de infertilidade provocados por diversas causas, como idade materna avançada, distúrbios de ovulação, endometriose e infertilidade sem causa aparente.

O médico ginecologista, Dr. Marcos Sampaio, esclarece algumas curiosidades sobre à Fertilização in Vitro, considerado o tratamento que oferece as melhores taxas de sucesso.

Sobre a FIV – Primeiramente é preciso esclarecer do que se trata a FIV. A Fertilização in Vitro é um procedimento que permite a fecundação de óvulos por espermatozoides em laboratório, ao contrário das outras técnicas de baixa complexidade, em que a fecundação ocorre nas trompas.

Antes do processo de fecundação, os pacientes são submetidos a etapas importantes do tratamento: a estimulação ovariana, para obter uma quantidade maior de óvulos que serão fecundados, a punção folicular para a coleta dos óvulos e a preparação seminal, que realiza a seleção dos espermatozoides com melhor morfologia e motilidade.

Há dois tipos de FIV – A fertilização pode ser realizada por FIV clássica ou por ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide). Na FIV clássica, óvulos e espermatozoides são colocados juntos em uma placa de cultura para que a fecundação aconteça espontaneamente. Na ICSI, por sua vez, cada espermatozoide é injetado diretamente no óvulo para que ocorra a fecundação.

Os avanços no procedimento de FIV deram origem às técnicas complementares – Vários avanços também contribuíram para a evolução da FIV, desde novos medicamentos para a estimulação ovariana, ao desenvolvimento dos procedimentos laboratoriais e incorporação das técnicas complementares. “Atualmente, os meios de cultura possibilitam o cultivo do embrião com segurança por até seis dias, na fase de blastocisto, quando um maior número de células já se formou e dividiu por função”, esclarece Sampaio.

Entre as técnicas complementares estão:

– Congelamento de gametas e embriões: permite a preservação para futura utilização e assim aumentar as taxas acumuladas de gravidez ou adiar o projeto de gravidez para aqueles que desejam ou precisam.

– Teste genético pré-implantacional (PGT): possibilita o diagnóstico de doenças genéticas e anormalidade cromossômicas nos embriões, com a utilização de diferentes técnicas: PGT-M, para detectar distúrbios genéticos, PGT-A e PGT-SR, para anormalidades cromossômicas.

– Hatching assistido ou eclosão assistida: realiza-se uma abertura artificial na zona pelúcida, película que envolve o embrião, para ajudar no processo de implantação.

– Doação de gametas e embriões: importante para pessoas que não podem realizar o tratamento com gametas próprios e para casais homoafetivos.

– Útero se substituição: indicada para mulheres com problemas que impeçam o desenvolvimento da gestação ou que não possuem útero. Também é um recurso importante para casais homoafetivos masculinos.

É a técnica de reprodução assistida mais eficaz – A partir desses avanços, a FIV se tornou a técnica mais importante dos tratamentos de reprodução assistida, com percentuais de sucesso sempre em curva ascendente. Ao ser comparada com outros tratamentos para infertilidade, a FIV tem taxas de sucesso mais altas. Apesar de bem-sucedida na maioria das vezes, é preciso lembrar que o sucesso da técnica está associado a diferentes variáveis, como por exemplo a idade da paciente e a causa a infertilidade.

Mulheres podem recorrer ao procedimento até os 50 anos – De acordo com o Conselho Federal de Medicina (CFM), as mulheres podem se submeter a tratamentos de infertilidade, como a Fertilização in Vitro, até os 50 anos de idade. Caso tenham interesse em engravidar após os 50 precisam solicitar aprovação do tratamento com o Conselho, que irá avaliar individualmente cada caso.

O tratamento dura, em média, duas semanas – O tratamento por FIV tem duração aproximada de 15 dias, considerando a realização de todas as etapas, até a transferência dos embriões.

Fonte: Jornal Folha Vitória


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Esses ensinamentos são fundamentais para que ele saiba lidar com esse sentimento ao longo da vida. Por isso, não resolva pela criança, passe a bola

Um dia, minha filha de nove anos veio até mim aos berros. Ela contou que chamou a colega de classe para brincar e a menina respondeu: “De jeito nenhum”. O meu instinto de mãe superprotetora falou mais alto e fiz exatamente o que não deveria: fui até a amiga da minha filha questionar o que havia acontecido. Então, ela começou a chorar, o que chamou a atenção de todos os pais em volta. Fui tentar ajudar e piorei a situação.

É normal querer intervir quando outra criança é grossa com o seu filho, mas o erro está em querer interferir minutos depois do ocorrido. Se nós, pais, formos sempre os primeiros a intervir, não vamos dar oportunidade para os nossos filhos resolverem os conflitos sozinhos. “Saber como lidar com os outros, trabalhar em grupo para resolver problemas e entender pontos de vista diferentes são habilidades essenciais para a vida em sociedade”, explica Nancy Kaplan, diretora do Instituto de Resolução Ilimitada de Conflitos (em tradução livre), em Freeland, Washington.

A verdade é que crianças e adultos têm que lidar com conflitos todos os dias. Se as crianças não aprendem formas de lidar com o problema, acabam resolvendo no grito, ignorando, com atitudes violentas ou, como Drew fez, pedindo ajuda para outra pessoa. Toda vez que eu decidia ensinar o “jeito correto” de lidar com a situação para as minhas três filhas (além da Drew, eu sou mãe da Camille, de 5 anos, e da Blair, de 11 anos), eu percebi que não sabia o que estava fazendo.

“A maioria dos adultos não sabe lidar com conflitos”, afirma Laura Markham, autora do livro “Pais Calmos, Filhos Felizes: Como Evitar Brigas e Criar Amigos Para a Vida” (em tradução livre). Para a nossa felicidade, existem métodos testados para resolvê-los, sejam eles entre nações ou colegas da escola. “Nós temos que ensinar o que a criança deve dizer e fazer”, conta Laura. Praticar essas atitudes em casa com os pais e com os irmãos ajuda a criança a desenvolver um conjunto de habilidades que serão colocadas em prática quando ela estiver sozinha e enfrentando o mundo real. Nós aprendemos as dicas básicas de especialistas e aplicamos esses cinco passos essenciais.

  1. Estabeleça regras que valham para todos

No primeiro dia, durante o jantar, pedimos às nossas filhas para criarem, em conjunto, cinco regras que seriam usadas em todos os conflitos da casa. De cara, elas disseram: “não grite”, “diga a verdade”, “não interrompa”, “seja gentil” e “deixe as mãos e os pés de fora da briga”. Criar as regras juntos ajuda as crianças a se sentirem parte do processo. Mas, ainda assim, a palavra final deve ser sua. Agora que a minha família tem regras estabelecidas, podemos falar “lembra que nós combinamos de não ofender e de ser gentil?”. Além disso, com o tempo, vai ficar natural para as meninas usarem as mesmas regras com os amigos.

  1. Respire fundo

É normal explodir quando algo não acontece do jeito que esperávamos. Essa raiva instantânea faz com que o nosso cérebro entre no modo de luta, preparando-se para uma briga em vez de uma resolução do problema, explica Deb Alexander, conselheira escolar. Ela sempre diz aos alunos que, para resolverem um problema, precisam alternar do “cérebro de lagarto” para o “cérebro de mago”.

Deb deu algumas dicas de como pensar racionalmente mesmo quando estamos bravos com algo. Isso inclui contar até 10 e beber um copo de água, o que ajuda muito particularmente, já que nos obriga a sair da área de conflito. Mas o que mais ajuda é ter uma frase para explicar o que aconteceu. Ontem, quando as coisas estavam esquentando entre a Drew e eu e discutíamos sobre as lições de casa, ela simplesmente disse: “Eu não posso mais conversar sobre isso. Estou com o cérebro de lagarto ativado”. Quando ela disse isso, nós duas conseguimos nos acalmar. Depois, quando voltamos ao problema, já conseguimos resolver toda a situação com o modo “cérebro de mago” ativado.

  1. Não esconda como está se sentindo

As discussões entre as minhas filhas costumam envolver frases como “Você é tão má! Você está me deixando louca!”. “Você é uma mentirosa! Você começou!”. São convites para uma resposta no mesmo nível e não tem como as crianças recuarem depois de começada a discussão. “Essas frases que acusam ou atacam uma pessoa colocam a pessoa que escuta na defensiva”, diz Naomi Drew, autora do livro Guia Para As Crianças Resolverem Conflitos” (em tradução livre).

Ela sugere ensinar os filhos a dizerem o que estão sentindo na hora. Exemplo: “Eu fico triste quando você fala que não quer brincar comigo”, em vez de apontar o dedo para a outra pessoa. “Assim nos referimos ao que a pessoa fez e não às características pessoais dela”, diz Naomi. Depois de duas semanas praticando, eu não deixei a Camille chupar um pirulito e ela disse em resposta: “Eu sinto que você é uma pessoa horrível”. Considerei um progresso.

  1. Repita o que você ouviu

Semana passada, minhas filhas começaram a Terceira Guerra Mundial no quarto delas. Enquanto eu subia as escadas, eu só conseguia pensar que seria um ótimo momento para aprender a lidar com conflitos na prática. Logo em seguida, já estava ensaiando dizer: “Vocês vão ficar de castigo até completarem 18 anos!”. Eu sentei no corredor com a Drew e a Blair e, com a voz calma, disse para conversarmos sobre o que tinha acontecido.

Depois de lembrá-las sobre as regras de não gritar e de não interromper, eu pedi para começarem a contar. Depois, pedi que repetissem. Nós precisamos de muita prática para entendermos o motivo de estarmos chateados com alguém, principalmente quando moramos na mesma casa. Mas não demorou muito para a Blair aplicar o que aprendeu em casa quando uma amiga parou de se sentar com ela no ônibus.

Blair perguntou para a garota se ela estava brava e elas começaram a conversar. Quando a Blair chegou em casa, contou. “Eu disse para ela que tinha entendido. Ela não estava sentando mais comigo porque achou que eu estava ignorando ela”. “Essa parte é a mais importante. Você tem que ouvir o ponto de vista da outra pessoa e mostrar que entendeu”, diz Linda Stamato, codiretora do Centro de Negociação e Resolução de Conflitos na Rutgers University, em New Jersey.

  1. Escolha uma solução

Essa hora é a mais complicada. “A nossa sociedade faz com que as crianças tenham como principal objetivo saírem vitoriosas”, conta Nancy. Mas, para colocar em prática, é preciso de compromisso. Quando existe um impasse, as crianças podem sugerir formas e dar ideias de como resolver. Para acabar com a briga entre a Blair e a Drew, Blair, que não gosta que ninguém invada o seu quarto, ofereceu uma concessão. “Nós não podemos entrar no quarto da outra, a menos que peça primeiro”. Drew acrescentou: “E nós temos que bater à porta primeiro”. “Vocês duas concordam em bater à porta?” Elas disseram que sim e nós definimos mais uma regra.

É claro que nem todas as crianças estão preparadas para resolverem conflitos. Honestamente, lidar com eles parece decorar as fórmulas usadas na aula de matemática. Eu já me perguntei várias vezes: “Será que elas estão aprendendo? Vão começar a fazer isso sozinhas?”. Ontem mesmo, a Drew chegou em casa mais cedo do que tinha combinado. Isso porque resolveu ir embora da casa da amiga porque ela estava muito mandona em todas as brincadeiras (e aplicou todos os passos). Apesar de não resolver todo o problema, ninguém veio até mim chorando. E eu não intervi com o modo “cérebro de lagarto” ativo, fazendo uma criança chorar, como aquele dia na saída da escola. Por isso, já posso me considerar vitoriosa quando o assunto é resolver desentendimentos entre a Drew, a amiga dela e eu mesma.

Fonte: revista Pais e Filhos


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Queimaduras oculares estão sendo tratadas com enxertos obtidos a partir de células-tronco do próprio paciente. Na primeira fase do estudo, realizado em um instituto especializado de Boston, nos EUA, quatro pacientes receberam o tratamento e a segurança da técnica foi confirmada. Os pesquisadores pretendem agora fazer o procedimento em um número maior de pacientes e avaliar sua eficácia. Será avaliado se o uso desta técnica leva a uma visão melhorada por si só ou se ela servirá como um pré-tratamento, permitindo o transplante posterior de córnea.

As células-tronco podem regenerar ou substituir células do olho afetadas por diferentes patologias ou traumas. O olho humano possui várias reservas de células-tronco e uma possibilidade é utilizar essas células que já estão naturalmente presentes a fim de reparar lesões. O Holoclar, por exemplo, é um produto de terapia avançada já aprovado para comercialização na Europa para o tratamento de cegueira causada por queimaduras oculares físicas ou químicas. A substância ativa do Holoclar são as células límbicas do próprio paciente, que incluem células da superfície da córnea e células-tronco da região do limbo ocular.

Nos Estados Unidos, cientistas também estão buscando desenvolver produtos similares ao Holoclar que, por enquanto só tem aprovação na Europa. É nisso que vêm trabalhando os médicos e pesquisadores do Massachusetts Eye and Ear, hospital localizado em Boston, especializado nas áreas de oftalmologia e otorrinolaringologia.

Os pesquisadores substituíram a superfície ocular de quatro pacientes que sofreram queimaduras químicas em um dos olhos usando suas próprias células-tronco retiradas do outro olho saudável, em uma técnica conhecida como “transplante de células epiteliais límbicas autólogas cultivadas” (ou CALEC, do inglês cultivated autologous limbal epithelial cell transplantation). Esses quatro casos, todos parte de um ensaio clínico em andamento apoiado pelo National Eye Institute, representam os primeiros procedimentos desse tipo a ocorrer nos Estados Unidos.

A técnica CALEC consiste na realização de uma pequena biópsia contendo células-tronco do tecido límbico do olho saudável ​​do paciente, sua expansão em laboratório e cultivo sobre um substrato na forma de membrana. Quando as células crescem ao ponto de cobrir a membrana, o enxerto está pronto para transplante. O cirurgião remove primeiramente o tecido cicatricial da córnea e então realiza o procedimento.

O processo de isolamento, cultivo e preparação de células-tronco límbicas para transplante foi desenvolvido em colaboração com pesquisadores do Hospital Infantil de Boston. O processo de fabricação é realizado em um ambiente de sala limpa, com condições controladas para manter a esterilidade do produto. Todo o processo leva aproximadamente 3 semanas antes que o enxerto de células-tronco límbicas esteja pronto para ser enviado para a sala de cirurgia.

Ao todo, quatro pacientes receberam o tratamento CALEC. Três pacientes receberam um transplante após a primeira biópsia. Um paciente não desenvolveu células suficientes na primeira tentativa de biópsia, mas foi submetido a uma segunda biópsia, que teve sucesso no cultivo de células suficientes para um transplante. As células de um paciente adicional inscrito nesta fase do estudo não cresceram bem o suficiente para serem submetidas ao procedimento de enxerto. Os quatro pacientes que receberam o tratamento CALEC não sentiram mais dor devido às lesões químicas iniciais logo após os procedimentos de enxerto da membrana na córnea. Esses pacientes continuarão a ser acompanhados por um longo prazo para monitorar seu progresso.

Agora que a viabilidade da técnica foi estabelecida sem preocupações imediatas de segurança, os pesquisadores começaram a recrutar mais pacientes com danos na córnea para uma segunda fase do estudo, que continuará até 2021 e avaliará a eficácia do tratamento. Nessa etapa futura, será avaliado se o CALEC leva a uma visão melhorada por si só ou se servirá como um pré-tratamento, permitindo o transplante posterior de córnea.

A córnea é a camada mais externa do olho responsável por manter uma superfície lisa para a visão normal. No procedimento de enxertia pela técnica CALEC, o cirurgião retira células-tronco do limbo, a borda externa da córnea, onde um grande volume de células-tronco reside em olhos saudáveis. As células-tronco límbicas ajudam a manter a barreira entre a córnea e a conjuntiva, as áreas brancas nas laterais do olho. Em pacientes com queimaduras químicas no olho, a área límbica costuma ser prejudicada a ponto de não poder mais ser criadas novas células por conta própria. A deficiência de células-tronco límbicas também pode ser causada por infecções, complicações de lentes de contato e várias outras condições.

Além da perda de visão, os pacientes com queimaduras oculares químicas costumam sentir dor e desconforto no olho afetado. As estratégias de tratamento atuais incluem o transplante de uma córnea artificial, que apresenta risco de infecção e desenvolvimento de glaucoma, ou a técnica de enxerto autólogo de limbo conjuntival (CLAU, do inglês conjunctival limbal autograft), que em comparação com CALEC, envolve a retirada de uma porção maior de células da cicatriz.

O objetivo do transplante de células-tronco límbicas, como CALEC e CLAU, é reconstruir uma superfície saudável para o olho danificado usando células do outro olho, evitando o uso de tecido de doador; portanto, ele só pode ajudar pacientes com deficiência de células-tronco límbicas em um dos olhos. Depois que uma superfície saudável foi restaurada, esses pacientes podem receber transplantes de córnea convencionais – um resultado que não seria possível antes do transplante de células-tronco, porque as células-tronco límbicas são necessárias para sustentar o tecido córneo transplantado. Os pesquisadores esperam que alguns pacientes não precisem de transplantes de córnea e possam experimentar a restauração da visão e da superfície ocular apenas com CALEC.

A técnica não traz o risco de rejeição como alguns outros procedimentos porque as células são retiradas do próprio corpo do paciente. Consequentemente, os pacientes que recebem CALEC e CLAU não precisam tomar medicamentos imunossupressores. Além disso, o CALEC pode ser vantajoso em relação ao CLAU, pois apenas uma pequena biópsia do olho do doador é necessária, reduzindo o risco para o olho saudável.

Segundo o Dr. Joan W. Miller, chefe de oftalmologia do Mass Eye and Ear, “esses primeiros casos mostram uma grande promessa de uma opção segura de tratamento para pessoas que perderam a visão devido a queimaduras químicas e infecções da córnea”.

Fonte: portal Tudo sobre células-tronco