O impacto da voz paterna para o bebê

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O bebê bem estimulado reconhece a voz ao nascimento, associando-a ao rosto, o cheiro e ao tato

O ventre materno contém barulhos, pois a veia cava passa logo atrás do útero e o bebê escuta o sangue passando. Além disso, o intestino faz ruídos, assim como o fluxo da urina, o batimento cardíaco da mãe e a própria movimentação corporal. “Existem ainda os ruídos do meio externo e as vozes humanas são os mais interessantes”, confirma Teles. E, entre essas vozes, uma que causa bastante impacto ao bebê, é a voz paterna. “Uma voz mais grave, que fala, canta e brinca bem pertinho da barriga. Em algumas situações, se manifesta sempre no mesmo horário, quando o pai volta do trabalho, por exemplo. E quando o bebê está maiorzinho, pode provocar toque e brincadeiras mesmo dentro do útero”, afirma o especialista.

O bebê bem estimulado conhece a voz do pai e reconhece essa voz ao nascimento, associando-a ao rosto, o cheiro, o tato. Este vínculo estabelecido durante a gestação é fundamental para o elo psicoafetivo que será amadurecido durante o desenvolvimento.

Muitas mães notam que, quando o pai fala com o bebê, este reage, fica mais agitado e se mexe mais. “Em outros casos , quando o bebê não para quieto, a voz do pai pode acalmá-lo. Ou seja, existe uma mudança de comportamento e estabelecimento de vínculo baseado no reconhecimento vocal”, destaca o médico.

Por isso, é altamente recomendado que o pai estabeleça esse contato o quanto antes, desde o primeiro trimestre. “Converse com o bebê, e por mais que ele ainda não entenda a linguagem, já é capaz de reconhecer padrões de oscilação tonal e de altura”, incentiva Teles. E acrescenta: “Fale perto da barriga, sem gritar, cante, mude abruptamente a voz, toque essa barriga, crie estes vínculos”.

A vez do pai 

Cabe aos pais, buscarem uma aproximação do bebê. Afinal, o vínculo materno já está consagrado por natureza. “O bebê mora dentro da mãe por nove meses, escuta quase tudo que ela fala, ouve até seu coração batendo. E quando o bebê nasce, é amamentado pela mãe que lhe dedica cuidados intensivos, aumentando ainda mais este vínculo”, ressalta o médico. Por isso, o pai tem de buscar alternativas para compensar isso e mostrar-se presente, iniciando isso com a voz enquanto o bebê está sendo gerado e, dando sequencia, na fase pós-nascimento. Dessa maneira, irá garantir seu papel importante no desenvolvimento afetivo, intelectual e social do bebê.

Durante a gravidez, os pais também devem evitar discussões desnecessárias, gritaria dentro de casa, ruídos agudos próximos à barriga. “O bebê sente, em parte o que a mãe sente. Se ele percebe (após uma discussão, por exemplo) que a voz do pai esteve associada à tristeza, alteração cardíaca e movimentos bruscos da mãe, irá realizar associações mais negativas”, alerta. Porém, se percebe que a voz do pai associa-se à tranquilidade, bem estar materno e harmonia, certamente fará associações positivas. Por isso, é importante evitar discussões, e a voz paterna deve transmitir sempre proteção, acolhimento, segurança e carinho.

Como se vê, o papel do pai começa muito antes do parto. “E o tipo de vínculo que o pai busca para seu filho deve ser estimulado e ensinado desde o princípio da gravidez”, diz Teles. E, com tais cuidados, certamente é mais fácil gerar crianças mais saudáveis, sociáveis e felizes.

Fonte – Neurologista Leandro Teles


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