Hepatite na gravidez: pode tomar vacina? Passa da mãe para o feto? Veja tudo que você precisa saber

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Estar com a carteira de vacinação e o pré-natal em dia são as melhores formas de cuidar da sua saúde e a do seu bebê

Se as doenças infecciosas já são naturalmente motivo para preocupação, durante a gravidez, elas tendem a trazer ainda mais tensão. A hepatite é uma delas.

Mas afinal, qual é a diferença entre os tipos A, B e C? Como acontece a transmissão? E quais são riscos para mãe e bebê? Pode tomar vacina? Para responder a todas as dúvidas, conversamos com um especialista no assunto.

A hepatite é uma inflamação do fígado (“ite”: inflamação e “hepato”: fígado) e os tipos mais comuns são: A, B e C. Apesar de todos serem vírus, um é diferente do outro, segundo o infectologista Paulo Olzon, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Entenda:

Hepatite A: É infecciosa, causada por um vírus transmitido pela ingestão de alimentos ou água contaminados. “Sua duração é de 30 dias, em média, sendo que quase todas as pessoas com o problema têm a cura total dentro desse período. Pode-se dizer que ela é a mais “benigna” dos três tipos”, diz o especialista.

Hepatite B: É a mais grave das três e pode se tornar crônica. Transmitida pela transfusão de sangue ou contato com agulhas contaminadas, ela aumenta as chances de câncer no fígado.

Hepatite C: Também é transmitida por agulhas contaminadas e transfusão de sangue. “Existe uma discussão se há ou não a contaminação via oral. Mas, se existirem, os casos são raros”, diz o infectologista. É o tipo que está em evidência, justamente porque ao contrário da A e B, não conta com vacina.

Quando tomar a vacina contra hepatite?

As vacinas contra a hepatite A e B fazem parte do calendário oficial infantil e, portanto, estão disponíveis no SUS. A vacina para o vírus A deve ser aplicada em crianças de 15 meses a 5 anos incompletos. Já a da hepatite B é dada em quatro doses: ao nascer, aos 2,4 e 6 meses. Vale se certificar, antes de engravidar se as suas vacinas estão em dia. Caso não tenha tomado, elas serão dadas ainda na gestação, podendo se estender ao pós-parto.

Quais são os sintomas da hepatite?

A icterícia (acúmulo de bilirrubina no sangue) é o sintoma mais conhecido da hepatite, podendo deixar os olhos e a pele amarelados. Fezes claras e urina escura também são indicadores da doença.

Os riscos da hepatite na gravidez

O grande medo das grávidas é que a inflamação comprometa a saúde do bebê. Em geral, os riscos para o feto são limitados, já que a hepatite não atravessa a barreira placentária. Também não há riscos de malformações, abortos ou partos prematuros por conta da doença. No caso da hepatite B, a que mais acomete as grávidas, a infecção pode passar de mãe para filho, que desenvolverá a infecção hepática crônica”, diz Paulo Olzon. Mas isso não significa que as grávidas que têm a doença crônica irão passá-la para o filho.

Como tratar

No caso da hepatite A, a cura é espontânea. Já a B e a C podem ser tratadas com antivirais. “Muita gente tem a hepatite C, mas por ela evoluir lentamente, o problema nem é notado”, diz o infectologista. Anos atrás, uma pessoa diagnosticada com hepatite tinha de fazer repouso absoluto por vários dias para ajudar na cura. “Mas essa prática caiu por terra após pesquisas comprovarem que o repouso não é necessário”, diz.

Fonte: Revista Crescer