Ocitocina: como funciona o “hormônio do amor” no parto e na amamentação

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Produzida pelo próprio corpo, a substância é responsável pelas contrações que preparam a expulsão do bebê, por fazer o leite sair na hora certa e por fazer o coração da mamãe se derreter por aquele ser pequenino que nunca viu antes. Conheça a ocitocina, o hormônio do amor.

Você olha para o seu bebê, ele olha de volta e a intensidade do que você sente aí dentro do peito é inexplicável? Uma palavra pode ajudar a entender essa emoção: ocitocina. Ainda que nunca tenha ouvido falar nela, você certamente já experimentou a sensação de estar “ocitocinado”. E não é só com o seu filho, não.

A ocitocina tem um papel fundamental nas relações e, por isso, ficou conhecida como o hormônio do amor. É ela a responsável pela atração e pelo prazer nas relações sexuais, por exemplo, pelas contrações no trabalho de parto, pela formação do vínculo com o bebê depois que ele nasce e até pela descida do leite materno. E a função dessa substância, produzida naturalmente pelo corpo humano, vai além: ela é também um neurotransmissor, ou seja, age como mensageira, levando informações para diversas áreas do organismo.

A cada ano, mais descobertas sobre o hormônio vêm à tona, já que ele chama a atenção da ciência há décadas. Diversas pesquisas já demonstraram que a ocitocina influencia comportamentos, é capaz de reduzir o estresse e a ansiedade e tem o poder de fortalecer vínculos a curto e longo prazos. Uma delas, publicada em 2018 nos Estados Unidos pelo Journal of the National Association of Neonatal Nurses, sugeriu, por exemplo, que o contato pele a pele entre pais e bebês prematuros aumenta os níveis de ocitocina e, assim, fortalece o vínculo, o que ajuda a diminuir o risco de atrasos no desenvolvimento neurológico associados à prematuridade. Outro estudo, realizado pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, em 2017, comprovou que a presença do hormônio melhora a cooperação e a confiança nos relacionamentos, habilidades fundamentais para a convivência em grupo, que deixa os humanos em vantagem na evolução.

Mas vamos à raiz da ocitocina? Ela é produzida por uma área do cérebro primitiva e comum aos mamíferos, no hipotálamo e na neuro-hipófise. Atua no sistema límbico, relacionado às emoções, e é entendida como o hormônio do afeto e do altruísmo. Segundo a obstetra Andrea Campos, todas as pessoas têm capacidade de liberar ocitocina. “O que varia é o estímulo e a resposta de cada um. E isso pode ser exercitado com o convívio social”, diz. Algumas situações, como contato físico, abraços, massagens, música, leitura, sexo, atividade física e alimentação balanceada, incitam a produção do hormônio. Por outro lado, solidão, ansiedade, depressão, estresse, sedentarismo e hábitos como fumar, ingerir bebida alcoólica, açúcar e carboidratos em excesso, a inibem.

Aquele empurrãozinho

No trabalho de parto, é a ocitocina que faz o útero se contrair, o que desencadeia a dilatação e promove a expulsão do bebê. Ao chegar em sua maturidade, os pulmões enviam um “aviso” de que seu filho está pronto para nascer por meio de uma substância chamada surfactante, responsável pela capacidade do órgão para receber ar. “A presença dela modifica a consistência do líquido amniótico e essa informação química é percebida pelo corpo materno e inicia o processo hormonal, que desencadeará o parto”, explica o obstetra Braulio Zorzella.

É aí que entra em ação a prostaglandina, que funciona como um motor de arranque e faz tudo engrenar, para logo a ocitocina começar a agir. Segundo a obstetra Andrea, esse hormônio faz com que as contrações uterinas aconteçam de forma harmônica e regular. “Ela está diretamente ligada ao reflexo da mãe de empurrar o bebê para nascer quando o colo está completamente dilatado e atua também como uma espécie de calmante com analgésico, já que reduz o medo e promove calma e conexão”, explica.

Relaxe e deixe acontecer

Por isso, o trabalho da equipe médica tem menos a ver com “fazer o parto” e mais com “deixar o parto acontecer”, respeitando as escolhas da mãe, amparadas pelo profissional. “É preciso permitir que ela tenha a privacidade que busca”, diz Zorzella. O ideal é que o ambiente seja relaxante, deixando que o corpo faça o que precisa (e sabe!) fazer. Intervenções médicas? Só quando necessário ou a mulher quiser. “Isolar a mulher, mantê-la deitada contra a sua vontade, obrigá-la a ficar em posição ginecológica, forçá-la ao jejum, realizar exame de toque sem necessidade são ações que podem inibir a ocitocina e provocar a necessidade de outras intervenções”, explica. Situações que provocam medo e insegurança aumentam a liberação de adrenalina, que antagoniza a produção da ocitocina nas primeiras fases do trabalho de parto, quando acontece a dilatação.

Fonte: Revista Crescer


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