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Quando planejamos ou temos um filho, a felicidade e a responsabilidade são tão grandes que muitas vezes nos parece uma missão impossível. Mesmo que a jornada já tenha começado. Diante de um conflito – de não conseguir que a criança saia da frente da TV até como fazê-la entender que seus pais não vão mais morar juntos –, é legítimo achar que a força de ser mãe ou ser pai vai desmoronar. Mas também legítimo é entender que pode precisar de ajuda. De alguém da família, de um educador da escola, de um amigo ou, sim, de um terapeuta. Mas quem é esse profissional? Como entender esses vários “psis” disponíveis?

Quando procurar ajuda? Há dois sinais mais fortes. “Primeiro, se a criança ou adolescente tem um problema acadêmico. Não uma nota baixa, mas quando realmente se percebe que não está aprendendo. Segundo, se tem algum prejuízo de relacionamento social. Se exclui ou é excluído, é impulsivo demais, fica isolado no recreio, não tem amigos. Com a criança sofrendo, investigue”, diz o psiquiatra Gustavo Teixeira,  autor dos livros Manual Antibullying e Desatentos e Hiperativos (ambos da Ed. BestSeller).

Parceria e foco são fundamentais. “Não adianta ter uma série de intervenções se os pais possuem uma conduta inapropriada. Indiretamente, eles quase que passam por um processo terapêutico também”, diz o psiquiatra Paulo Germano Marmorato, coordenador do Ambulatório de Socialização, do Serviço de Psiquiatria da Infância e do Adolescente do Hospital das Clínicas (SP). “Muitos temem que a criança fique dependente da terapia. Mas, na verdade, o objetivo é justamente fazer com que ela caminhe sozinha”, afirma Gina Levinzon.

As alterações de comportamento da criança são mais facilmente percebidas na escola. “O diagnóstico de um problema é frequentemente feito pela professora, que tem contato quase todos os dias do ano com a criança”, afirma Gina.

Para cada caso, uma ação

Os sintomas e diagnósticos variam. Fundamental é o primeiro profissional a atender a criança – seja o pediatra, psiquiatra, psicólogo ou psicanalista – fazer o encaminhamento necessário. Aqui, alguns exemplos dos casos mais comuns que chegam aos consultórios.

Meu marido e eu nos separamos e ainda não sabemos como fazer nosso filho, de 2 anos, entender a situação como definitiva.
Mais do que o cuidado focado na criança, a primeira boa orientação profissional deve ser digirida aos pais, que não podem perder o foco de que conjugalidade é uma coisa, e paternidade, outra. “O bom senso deve ser mantido, assim como a comunicação amistosa, com o objetivo de assegurar a saúde mental do seu filho”, diz a terapeuta Regina Glashan. É bom também não subestimar a criança, que já percebe o que está acontecendo.

Minha mãe faleceu de forma inesperada e não sei como lidar com minha filha, de 3 anos, que não para de perguntar pela avó.
A orientação para dificuldades em lidar com a morte sempre varia do grau de proximidade da pessoa que faleceu e a idade da criança. Primeiro, é preciso observar. “Às vezes a criança nem chora, mas manifesta a falta brigando o tempo todo”, diz a psicoterapeuta Maria Helena Franco. Ou, ao contrário: ela pode estar aparentemente bem, mas fazendo perguntas. “Converse com a criança com sinceridade. Tudo com limite, mas esconder sentimentos dela pode só deixá-la mais angustiada. A criança vive a tristeza, sim, e precisamos validar isso.” Em casos mais duradouros, a terapia específica do luto pode ajudar a família toda.

A timidez de meu filho de 6 anos faz com que  ele não se enturme com outras crianças e o está prejudicando na escola.
Se a timidez em excesso atrapalha o convívio social, seria interessante procurar uma ajuda psicológica. “Inicialmente se faz uma avaliação para saber quais os motivos que o levam a se sentir tão retraído, que podem ser questões familiares ou individuais”, aponta a psicanalista Gina Levozin. Para ela, esse grau de timidez pode mostrar insegurança e o trabalho é recuperar a confiança dele em si e no ambiente.

Minha filha acaba de completar 7 anos e está apresentando dificuldade com a leitura e com o básico de matemática.
Em primeiro lugar, é preciso esgotar os recursos da escola, saber que todas as possíveis intervenções já foram feitas. “Se a escola percebe que isso continua e que a criança não está acompanhando a turma pode ser hora de procurar um psicopedagogo. ‘Ir ou não bem na escola’ nesta fase tem a ver com a construção da autoestima e é fundamental mostrar a ela que pode aprender”, explica Quézia Bombonato, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia.

Minha filha tem 4 anos e eu simplesmente acho que ela anda triste.
Para a psicóloga Ceres de Araújo, existem diferentes tipos de tristeza. “Uma criança pode estar doente, anêmica, apática e parecer triste. Ou demonstrar isso quando não é o centro das atenções. Ou pode até ser um sintoma de depressão.” Sim, a doença acontece com crianças pequenas e o melhor a fazer é observar se ela persiste e, nesse caso, procurar ajuda.

E quando o problema é com os pais?

Sensíveis ao que as rodeia, as crianças podem apontar os problemas, mas não ser a fonte. Ou seja: pode não estar acontecendo nada com o filho, mas é ele quem vai revelar a dificuldade da família.
E não apenas estamos falando de casais em conflito – chegando à separação ou não –, perda de emprego de um dos pais, ou outro fator traumático no dia a dia, em que os adultos estejam “pedindo socorro”. Mas também de casos em que a questão seja a exagerada expectativa dos pais e a comparação desmedida com outras crianças. Segundo os especialistas, chegam ao consultório os mais diversos casos. “Desde separações em litígio, ou alguém deprimido, até pais muito invasivos, que exigem demais da criança e do desenvolvimento dela”, explica a psicanalista Gina Levozin.

Muitas vezes os pais procuram o especialista, mas apenas uma conversa já resolve, até com o encaminhamento deles a uma terapia em separado. “A orientação pode ser suficiente. Informação correta acalma ansiedades”, diz a psicóloga Ceres de Araújo.

Fonte: revista Crescer


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“O diagnóstico foi em 2015, no nosso primeiro aniversário de casamento”, disse a mãe de Emma, ​​Daria, com 35 semanas de gestação. “Neste dia, meu marido e eu decidimos fazer uma ultrassonografia para ver nossa filha e acabamos descobrindo que ela possuía malformação na coluna vertebral. Eu nunca tinha ouvido falar dessa doença antes, esperava que os médicos tivessem se enganado e minha filha estivesse saudável.”

Contudo, o diagnóstico foi de “Espina Bífida”, que é um defeito congênito no qual há fechamento incompleto das vértebras da coluna vertebral e das membranas ao redor da medula espinhal durante o desenvolvimento inicial da gravidez.

Daria contou que: “As maternidades me recusaram uma a uma, somente médicos da Maternidade Hospital Nº 5 de Kiev concordaram em realizar uma cesariana se encontrássemos um neurocirurgião que operaria imediatamente minha filha. Encontramos o Dr. Pavel Plavskiy, que é neurocirurgião. Foi ele quem disse que seria necessário coletar sangue do cordão umbilical, porque ajudaria nossa filha durante a operação.”

Com isso, Daria ficou obcecada em garantir que eles fizessem todo o possível para ajudar a salvar a vida de sua nova filha. Uma tarefa que ela levou muito a sério, principalmente a responsabilidade de realizar a coleta de sangue do cordão umbilical no momento do parto, a qual foi concretizada com sucesso.

Algumas horas após o nascimento, Emma foi transferida para o departamento de neurocirurgia do hospital especializado Okhmatdet, onde foi realizado os procedimentos cirúrgicos e inclusive o transplante com as células-tronco do sangue do cordão umbilical. O motivo para a transfusão com o sangue do cordão umbilical durante a cirurgia foi repor a perda de sangue e estimular o reparo mediado por células-tronco.

A operação foi muito complicada. Havia uma hérnia na coluna vertebral de Emma e o cirurgião teve que colocar a medula espinhal na posição correta e além de remover a hérnia. A recuperação após a cirúrgica foi rápida em um mês, Emma recebeu alta do hospital e o pior já havia passado.

Daria conta que: “certeza de que tudo aconteceu tão bem graças ao uso de sangue do cordão umbilical. Hoje, os únicos lembretes da condição de Emma são exames médicos regulares e alguma fraqueza nas pernas, que ela sente às vezes.”

Fonte: Parent’s Guide to Cord Blood Foundation


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Para chegar a essa conclusão, os cientistas utilizaram 305 amostras de tecido nasal conservadas no instituto de pesquisado ligado ao Hospital Monte Sinai de Nova York, nos Estados Unidos, colhidas entre 2015 e 2018, de pessoas com idades entre 4 a 60 anos. “Nós nos perguntamos muitas vezes e esse estudo pode nos ajudar a esclarecer. Mas “provavelmente o motivo é multifatorial”, afirma Cristina Calvo Rey, porta-voz da Associação Espanhola de Pediatria.


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Pesquisadores canadenses resolveram analisar um século de estudos sobre a eficiência da filtragem das máscaras — que é a capacidade de um material bloquear a transmissão, expressa em porcentagem — e chegaram a uma conclusão: as máscaras de pano podem impedir a propagação da Covid-19, bloqueando até 99% das partículas infecciosas. Mas não é qualquer máscara. Para chegar a esse nível de proteção, são necessárias, no mínimo, três camadas de pano. Somente assim, é possível bloquear o vírus transportado por partículas microscópicas no ar.

De acordo com as evidências, algumas combinações de tecidos, como flanela de algodão, bloqueiam mais de 90% das partículas. “Nossa análise sugere que o tecido pode bloquear partículas, mesmo as do tamanho de aerossóis, e isso apóia a política de saúde pública canadense sobre o assunto”, afirmou Catherine Clase, autora do estudo e professora associada de medicina na Universidade McMaster, no Canadá.

Embora o tecido não proteja completamente contra o vírus, ele bloqueia as partículas — com mais de cinco micrômetros de diâmetro — geradas ao falar, comer, tossir e espirrar. Isso significa que uma partícula carregada de vírus emitida por um usuário infectado que esteja usando máscara é mantida dentro dela e não pode pairar no ar ou permanecer em uma superfície. A equipe explicou que as máscaras não são avaliadas separadamente para cada patógeno, ou seja, a eficiência da filtração depende de partículas de tamanhos diferentes, independentemente do patógeno que ela contém. Mesmo para os aerossóis menores, a máscara de tecido era comparável às máscaras médicas, disseram os pesquisadores.

No entanto, os especialistas alertam que pode haver uma desvantagem arriscada ao usar várias camadas de pano sobre o rosto. “É importante perceber que mais camadas darão mais proteção, tanto interna quanto externa, mas dificultarão a respiração”, disse Catherine. “Por esse motivo, não é recomendável que crianças menores de dois anos e pessoas com dificuldades respiratórias usem máscaras”, completou. E ela termina com  mais um alerta. “O uso incorreto de máscaras de pano ou a higiene reduzida das mãos são uma falsa sensação de segurança”, finalizou, no estudo publicado pela Annals of Internal Medicine.

Fonte: revista Crescer


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Especialista explica os principais quadros do transtorno e como trata-lo corretamente

No Brasil 1 a cada 4 mulheres desenvolvem a depressão pós-parto, como aponta uma pesquisa realizada pela Faculdade Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os quadros podem aparecer logo no primeiro mês de vida da criança ou até um ano depois. Em metade dos casos, os sintomas surgem durante a gestação, e passam despercebidos devido ao pouco conhecimento sobre o assunto.

“É comum que as novas mães tenham inconstância no humor, apresentando crises de choro que logo passam, causadas pelas intensas alterações hormonais. Porém, quando se trata de depressão pós-parto, esses momentos são mais intensos, levando a um quadro profundo de tristeza e melancolia”, explica o Dr. Renato de Oliveira, da Criogênesis.

O transtorno afeta o vínculo entre mãe e filho, sobretudo no que se refere ao aspecto afetivo e o especialista afirma que precisa ser tratado o quanto antes. “Cada caso é único e deve ser analisado por um especialista, que pode intervir com medicamentos antidepressivos combinados a psicoterapia. É importante ressaltar que o apoio da família, esposo e amigos é fundamental, auxiliando no tratamento e, também, na prevenção”, explica.

Reconhecendo a importância de orientar e alertar sobre o assunto, o médico elenca os principais sintomas da patologia. Confira a seguir.

  • Perda de interesse: a falta de motivação para realizar atividades do cotidiano, e principalmente aquelas que envolvem os cuidados com o bebê, é o sintoma mais recorrente do transtorno.
  • Aumento ou perda de apetite: é comum em patologias psíquicas a alteração de apetite.  E como cada corpo reage de uma forma, pode ocorrer o aumento ou diminuição da fome.
  • Mudanças no sono: outra área que é afetada é o sono. “Em muitos casos, as grávidas ou novas mães que estão com depressão pós-parto, desenvolvem problemas na hora de dormir, mesmo quando o bebê está dormindo ou quando ainda estão em gestação, podendo gerar irritabilidade e cansaço constante”, afirma o especialista.
  • Alteração comportamental: mulheres com depressão pós-parto, podem desenvolver alguns comportamentos incomuns como, vontade extrema de prejudicar ou fazer mal ao o bebê e a si mesma, mudanças drásticas de humor e, até mesmo, alucinações.

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Médicos no Japão conseguiram transplantar células hepáticas derivadas de células-tronco embrionárias em um recém-nascido que sofria um doença hepática, um feito inédito que abre novas vias de tratamento. Em outubro passado, o bebê sofria de uma doença congênita do ciclo da ureia que impedia o fígado de quebrar a amônia, um elemento tóxico que normalmente se transforma em ureia e é eliminado pelo trato urinário.

O recém-nascido, de seis dias, era jovem demais para um transplante de fígado, uma operação que não é recomendada antes que o bebê pese 6 quilos, quando tem entre três e cinco meses de vida. Os médicos do Centro Nacional de Saúde e Desenvolvimento Infantil de Tóquio (NCCHD) decidiram então optar pela terapia de transição, à espera que o bebê crescesse para receber um transplante de fígado.

Para isso, injetaram 190 milhões de células hepáticas saudáveis feitas de células-tronco embrionárias humanas (CSE). Após o tratamento “o resultado foi positivo, já que nenhum aumento na concentração de amônia no sangue foi detectado” no bebê, que alguns meses depois foi capaz de receber um transplante de parte do fígado de seu pai. Seis meses após o nascimento, recebeu alta do hospital.

Trata-se do “primeiro ensaio clínico no mundo usando CSE para um paciente com doença hepática”, afirmou o NCCHD em comunicado. As células-tronco embrionárias humanas são obtidas de óvulos fertilizados em blástula, um conjunto de cerca de cem células, um dos estágios iniciais da vida humana.

Esse campo de pesquisa terapêutica é encorajador, mas é um dilema ético, pois as blástulas são destruídas no processo de remoção das células-tronco embrionárias. O NCCHD é uma das duas únicas instituições no Japão autorizadas a produzir CSE para fins de pesquisa terapêutica.

O sistema trabalha com óvulos fertilizados, cuja utilização foi autorizada por pacientes que já terminaram seus tratamentos de fertilidade, explicou o NCCHD.

Fonte: jornal Estado de Minas


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Prevenção e risco de contaminação são alguns dos temas abordados 

Desde que foi divulgado pela primeira vez, o novo Coronavírus tem sido a principal notícia no Brasil e no mundo. Não à toa, a COVID-19 tem mudado a rotina da população e, com isso, grandes veículos passam a atualizar os dados sobre a pandemia diariamente.

No entanto, mesmo diante de inúmeras informações e com o aumento de novos casos surgindo rapidamente no país, muitas dúvidas têm surgido no que diz respeito as grávidas. Atento a esses questionamentos, o Dr. Nelson Tatsui, Diretor-Técnico do Grupo Criogênesis e Hematologista do HC-FMUSP, responde algumas perguntas sobre o assunto

Confira:

  • Quais cuidados precisam ser adotados durante a gestação?

As precauções devem ser as mesmas seguidas por toda a população. Lavar as mãos regularmente por, no mínimo, 20 segundos, manter distância segura de outras pessoas, evitar tocar olhos, nariz e boca e, principalmente, evitar aglomerações. Além disso, seguir as orientações recomendadas pelo médico responsável pelo pré-natal.

  • Mães infectadas pelo vírus podem transmitir a doença para os bebês durante a gravidez?

Estudos recentes realizados pela JAMA Pediatric, apontam que, apesar de raro, é possível sim a transmissão da Covid-19 para a criança. Porém, ainda não é um fato que deva gerar preocupação aos pais. De 33 casos de recém-nascidos analisados, apenas três testaram positivo para a doença e, após uma semana, os mesmos já haviam eliminado o vírus de seu organismo.

  • Testei positivo para o Coronavírus. Posso amamentar meu filho?

Desde que todos os cuidados necessários quanto à higienização sejam respeitados, não existe problema em manter o aleitamento materno, uma vez que não existem evidências de que o vírus seja transmitido pelo leite.

  • É possível que o coronavírus seja transmitido pelo sangue do cordão umbilical?

Embora ainda nenhum estudo afirme, é muito improvável que ocorra transmissão por parte do cordão ou outros tecidos, por exemplo. Entretanto, é necessário esclarecer que existe uma diferença entre testes que buscam essa transferência entre mães e filhos e outros que apenas testam os sinais da Covid no sangue do cordão.

  • Mesmo com a epidemia devo continuar doando o sangue do cordão umbilical?

Sim. As coletas continuam ocorrendo normalmente. O material coletado beneficia pacientes que precisam de doação para transplante para diversas indicações.


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Conheça as vantagens da amamentação, os principais obstáculos de colocá-la em prática e a importância do equilíbrio entre a saúde do bebê e o bem-estar da mãe.

Foi Cesar Victora, professor emérito na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que liderou, na década de 1980, o primeiro estudo do mundo a mostrar que a amamentação exclusiva (sem chazinho, sem água) até os seis meses de idade reduz em 14 vezes o risco de morte por diarreia e em 3,6 vezes o risco de óbito por infecções respiratórias.

Uma das explicações está justamente na composição mágica do leite da mãe, que não só fornece os nutrientes necessários ao crescimento da cria como tem substâncias capazes de protegê-la contra infecções. É o caso dos oligossacarídeos. Até pouco tempo atrás, não se entendia o porquê da presença desse açúcar no leite, já que ele não é absorvido pelo corpo do bebê. “Seu papel é atender as bactérias do microbioma, favorecendo o desenvolvimento de um tipo de flora essencial para um sistema intestinal saudável”, afirma Victora.

Comparando bebês que mamaram por menos de um mês com os que mamaram durante um ano, os que mais mamaram tinham, aos 30 anos, quatro pontos a mais no score de QI, quase um ano a mais de escolaridade e uma diferença de renda de cerca de R$ 340. O estudo isolou dez variáveis sociais e biológicas (como escolaridade e renda dos pais, tipo de parto, tabagismo materno, entre outras) para garantir o rigor da análise e definir exatamente o papel do leite materno nesse contexto. O resultado foi publicado em 2015 pela revista científica The Lancet.

A ciência vem mostrando que a amamentação é benéfica também para as mães, que ficam mais protegidas contra o câncer de ovário e de mama. A cada ano que a mulher amamenta, o risco de que venha a desenvolver câncer de mama cai 6%. Segundo o American Institute for Cancer Research, isso ocorre porque a lactação induz um padrão hormonal único associado a um período de amenorreia (ausência de menstruação), o que reduz a exposição da mulher a variações hormonais associadas a esse tipo de tumor.

Além disso, amamentar ajuda a recuperar o peso pré-gestação e também facilita a superação da depressão pós-parto, afirma a pediatra Honorina de Almeida. Conhecida como dra. Nina, ela é uma das fundadoras da Casa Curumim, espaço especializado em aleitamento materno em São Paulo, que presta atendimento a famílias que precisam de um suporte extra para viabilizar a amamentação.

Mas, se amamentar é algo natural, por que tantas mulheres sofrem com esse processo? E, se é de graça e traz tantos benefícios, por que menos de 40% dos bebês de países em desenvolvimento recebem aleitamento exclusivo até os seis meses?

Problemas e soluções

MAMILOS PLANOS OU INVERTIDOS
Podem dificultar o início da amamentação, mas não necessariamente a inviabilizam. Algumas estratégias ajudam a aumentar o mamilo, tais como compressas frias, sucção com bomba manual e uso de conchas.

LEITE EMPEDRADO
Esse ingurgitamento patológico deixa a mama muito distendida e dolorida. Recomenda-se ordenhar um pouco os seios antes da mamada, só o suficiente para amaciá-los e facilitar a pega, massagear as regiões afetadas, aplicar compressas frias e usar um sutiã firme. Analgésicos e anti-inflamatórios podem ajudar.

CANDIDÍASE
Infecção por fungo que gera coceira e sensação de queimadura e agulhadas nos mamilos. Se o problema surgir, é preciso tratar a mãe e o bebê simultaneamente. Chupetas e mamadeiras podem favorecer a volta da infecção, por isso, elas devem ser fervidas diariamente.

MASTITE
Processo inflamatório no tecido mamário que pode evoluir para uma infecção bacteriana. Relacionada à estagnação do leite, causa dor, vermelhidão, febre alta e calafrios. Casos mais graves exigem antibióticos ou mesmo drenagem cirúrgica.

Em busca da pega correta

O fato é que quem decide amamentar o rebento enfrenta problemas práticos, físicos, habitualmente desafiadores e raramente esperados. “Uma das grandes dificuldades do início da amamentação diz respeito à pega do bebê. As mães acham que é normal sentir dor e demoram muito a buscar apoio”, afirma a pediatra Honorina de Almeida.

O que é uma boa pega? Aquela em que o bebê abre bem a boca e coloca a língua para fora, de modo a abocanhar grande parte da aréola. Quando o recém-nascido persiste em uma pega errada, acaba machucando a mãe e não consegue retirar o leite que precisa. Irritado e faminto, não desgruda do peito, ferindo ainda mais os mamilos. E assim se inicia um círculo torturante para o bebê e, especialmente, para a mãe.

O uso de chupeta e mamadeira também pode tornar essa fase mais difícil, afirma Honorina. “Todos os estudos mostram que o risco de o bebê desmamar é muito maior se ele usa chupeta e mamadeira. Isso porque, para mamar, ele precisa jogar a língua para fora, abrir a boca e usar todos os músculos da face para ordenhar a mama. Para sugar a mamadeira, o movimento é oposto: ele coloca a língua para trás e fecha um pouco a boca, usando apenas os músculos ao redor da boca. Muitos bebês confundem esses dois movimentos.” A chupeta induz ao mesmo movimento da mamadeira e ainda pode atrapalhar a ingestão de leite — o choro que se acalma com a chupeta pode ser um sinal de fome que vai passar despercebido. Esses fatores, muitas vezes, comprometem o ganho de peso nas primeiras semanas de vida, aumentando o risco de prescrição médica de fórmula.

Existem, sim, casos excepcionais, em que o aleitamento é prejudicado por motivos fisiológicos. É o caso de mulheres com hipogalactia (dificuldade para produzir leite) ou que passaram por cirurgias para a redução das mamas.

Um estudo realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul com 49 mulheres submetidas à mamoplastia redutora mostrou que, um mês após o parto, elas tinham um risco nove vezes maior de não praticar amamentação exclusiva do que as mulheres do grupo-controle (que não haviam passado por esse procedimento). Quatro meses após o parto, elas tinham dez vezes mais chance de ter interrompido a amamentação. Em casos assim, é necessário usar todos os recursos possíveis para alimentar adequadamente o bebê — e que bom que existem alternativas. Mas essas estratégias demandam uma avaliação personalizada e especializada.

Dicas para uma pega correta

POSIÇÃO DA MÃE

Sentada, recostada ou deitada? Todas são adequadas. O importante é que ela esteja confortável.

POSIÇÃO DO BEBÊ
Além da tradicional, ele pode ficar sentado sobre a perna da mãe, com o pescoço apoiado, na posição conhecida como cavaleiro. Seu corpo deve estar junto do corpo da mãe, de frente para ela, bem apoiado, com a cabeça e o tronco alinhados e os braços livres.

SEGURANDO A MAMA
A mão fica no formato da letra “C”. Coloque o polegar acima da aréola e todos os outros dedos e a palma sob a mama. Não faça a posição de tesoura, pois isso gera um obstáculo entre a boca do bebê e a aréola.

BOCA DE BOCEJO
A boca do bebê deve estar abaixo do mamilo. Encoste o mamilo no lábio superior do bebê e espere que ele abra a boca, na tentativa de alcançar o peito. Quando estiver com a boca bem aberta, como se estivesse bocejando, é hora de pegar o peito.

COMO CONFERIR
O pescoço do bebê deve estar levemente estendido, o queixo encostado na mama, os lábios virados para fora (boquinha de peixe) e o nariz livre. Ele deve abocanhar a aréola, e não só o bico do seio. E a aréola, idealmente, fica mais aparente acima da boca do bebê.

Fontes: SBP e Ministério da Saúde

Até quando?

Se todos os obstáculos foram vencidos, a próxima questão pode ser: quando desmamar? A OMS recomenda que o aleitamento prossiga até a criança completar 2 anos de idade. Mas por que, uma vez que a essa altura a criança já fala, corre, tem dentes e come toda a variedade de alimentos? “É um erro pensar no leite materno como uma mera comida”, afirma Cesar Victora. “Ele é uma substância viva, que atua em diversos sistemas do nosso organismo.” Naquele estudo que investigou a relação do leite materno com QI, escolaridade e renda, ele observou que, quanto maior a duração da amamentação, melhores os resultados obtidos.

Entendidos os benefícios da amamentação, há de se procurar um meio-termo entre a saúde do bebê e o bem-estar físico e emocional da mãe, já que o aleitamento exige muito da mulher. O que se espera é que ela tenha dados e espaço para fazer suas próprias escolhas. A amamentação é um direito da mulher, não uma obrigação.

Fonte: revista Super Interessante


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Veja dicas de dietas, exercícios e cuidados para turbinar a dieta e eliminar a barriga

Para emagrecer com saúde é necessário que o corpo gaste mais calorias do que consome. É por isso que as duas medidas mais importantes para chegar ao peso ideal são ajustar hábitos alimentares e praticar atividades físicas. Mas isso deve ser feito de forma gradativa e com um cardápio saudável e variado. Siga as dicas para emagrecer de forma saudável:

Como emagrecer rápido e com saúde

  • Consuma alimentos que queimam a gordura, desincham, aumentam a saciedade e aceleram o metabolismo
  • Faça apenas as refeições principais
  • Invista em um prato equilibrado e variado
  • Evite dietas restritivas
  • Beba chás que ajudam a emagrecer
  • Pratique exercícios para queimar a gordura
  • Ganhe músculos
  • Cuidado com as dietas da moda
  • Diminua o consumo de sal e açúcar
  • Preste atenção aos sinais do corpo
  • Fique longe da gordura trans
  • Reduza o consumo de gordura saturada
  • Fique de olho na caloria dos alimentos
  • Beba uma média de dois litros de água por dia
  • Maneire na cervejinha
  • Descubra o seu peso ideal
  • Reduza o consumo diário de calorias

Consuma alimentos que queimam a gordura: Alguns alimentos ajudam a emagrecer porque estimulam a queima de gordura. O chá de hibisco, lichia, farinha de amora estão entre eles.

Alimentos que desincham: Alimentos ricos em ômega 3 (salmão, atum, sardinha, arenque, cavala, linhaça, castanhas) contribuem para o emagrecimento devido à ação anti-inflamatória.

Alimentos que aumentem a saciedade: Alimentos ricos em fibras proporcionam maior saciedade, logo a fome demora mais a aparecer, o que ajuda você a perder peso. As principais fontes de fibras são: frutas, cereais integrais, como arroz, trigo, centeio, cevada e a aveia. As leguminosas, como feijões, lentilha, grão de bico e ervilha e as verduras e legumes também contam com boas quantidades de fibras. As sementes, como a chia, linhaça e semente de abóbora, também tem fibras.

Alimentos que aceleram metabolismo: Os alimentos com ação termogênica estimulam a maior queima de calorias. Os principais alimentos termogênicos são: pimenta, chá verde, canela, gengibre e café.

Faça apenas as refeições principais: O ideal quando se quer perder peso é fazer as três refeições principais (café da manhã, almoço e jantar) e dois ou três pequenos lanches. Isso manterá seu metabolismo funcionando o dia inteiro, dará mais saciedade, diminuindo a fome fora de hora, e impedirá que você exagere nas grandes refeições. O intervalo entre cada refeição deve ser de no mínimo 2 horas.

Invista em um prato equilibrado e variado: Uma alimentação saudável pede equilíbrio de nutrientes e variedade de alimentos. Vale investir em frutas, legumes, verduras. Não se esqueça de completar o menu com diferentes tipos de carnes, cereais, leguminosas (feijão, lentilha), leites e derivados, grupos alimentares essenciais para a alimentação diária.

Evite fazer dietas restritivas: Dietas que cortam drasticamente as calorias ou algum componente específico, como os carboidratos por exemplo, são consideradas restritivas. Para perder com saúde o esperado é perder entre meio quilo e um quilo por semana. Mais do isso pode ser sinal de que você não está realizando a dieta mais adequada. A alimentação monótona e com pouca variedade de alimentos não traz todos os nutrientes que o corpo precisa, podendo até afetar a imunidade e o corpo mais vulnerável a doenças. Dieta dos shakes, dieta sem glúten e dieta da sopa são alguns exemplos de dietas restritivas.

Invista nos chás que ajudam a emagrecer: Alguns deles, como o chá verde, chá preto e o chá de canela, estimulam a queima calórica. Enquanto o chá de hibisco contribui para que menos gordura fique acumulada no abdômen.

Pratique exercícios que queimam gordura: A Organização Mundial de Saúde recomenda praticar ao menos 150 minutos de exercícios moderados por semana para uma pessoa ser considerada ativa. Ou seja, praticando uma hora de exercício em três dias na semana (180 minutos), você já ultrapassa essa meta! Para queimar gordura e emagrecer é importante investir em atividades aeróbicas como: caminhadas, corridas, bicicleta, dança, natação, entre outros.

Não deixe de ganhar músculos: Praticar exercícios de força, como a musculação e pilates, também são superimportantes para ganhar músculos e fazer o corpo gastar calorias.

Tenha cuidado com as dietas da moda: Existem uma série de dietas que prometem o emagrecimento rápido. Fique atento a que custo essa perda de peso é alcançada. Muitas delas levam à perda de músculos, o que é especialmente prejudicial para quem quer emagrecer e manter o peso depois disso. Algumas dessas dietas são:

Diminua o consumo de sal e açúcar: O sal é o principal fonte de sódio, mineral que em excesso no organismo aumenta o risco de hipertensão e a retenção de líquido. Já o açúcar consumido em excesso se transforma em acúmulo de gordura, principalmente na região da barriga. Alimentos fontes de carboidratos simples são ricos em açúcar. Entre eles estão: açúcar de adição, refrigerantes, doces e os que contam com muita farinha branca, como pães, massas e bolos.

Preste atenção aos sinais do corpo: Alguns sinais de que o emagrecimento rápido está prejudicando sua saúde são: queda de cabelo, unhas fracas e quebradiças, desânimo, fraqueza, indisposição, tontura, flacidez e constipação intestinal.

Fique longe da gordura trans: Este tipo de gordura pode ser encontrada em alguns biscoitos, sorvetes, bolos industrializados, entre outros alimentos. A gordura trans aumenta o LDL (colesterol ruim para o organismo) e diminui o HDL (colesterol bom). Além disso, age também aumentando os triglicerídeos que pode ser armazenado no tecido adiposo. Veja os riscos da gordura trans e onde é encontrada.

Reduza o consumo de gordura saturada: O consumo de gorduras saturadas em excesso está relacionado ao acúmulo de gordura no organismo, ou seja, dificuldade para emagrecer. Os alimentos com grandes quantidades de gorduras saturadas são: carnes vermelhas, leite integral, manteiga e queijos.

Fique de olho nas calorias dos alimentos: Olhar o rótulo dos alimentos é uma boa maneira de controlar o consumo de calorias. Saiba que os carboidratos possuem 4 calorias por grama, enquanto as proteínas também contam com 4 calorias por grama e as gorduras possuem 9 calorias em cada grama.

Beba uma média de 2 litros de água por dia: Consumir os líquidos certos contribui e muito para emagrecer de forma saudável. A recomendação é ingerir entre 30 a 35 ml por kg de peso corporal de líquidos, o que em média fica em torno de 2 litros por dia.

Maneire na cervejinha: O álcool é uma substância tóxica para o organismo e o fígado dá preferência para metaboliza-lo primeiro. Essa mudança no metabolismo do fígado favorece o acúmulo de gordura no organismo.

Descubra qual é o seu peso ideal: O Índice de Massa Corporal (IMC) é uma maneira de avaliar se o peso da pessoa está dentro do considerado saudável ou não. Ele é calculado por meio do peso em quilogramas dividido pela altura ao quadrado (Kg/m²). Apesar de não mostrar a proporção de gorduras e músculos do corpo humano, o IMC ajuda a ter uma noção sobre se o peso do indivíduo está dentro do considerado saudável ou não.

Reduza o consumo diário de calorias: Para emagrecer rápido muitas pessoas optam por uma redução extrema de calorias. O consumo inferior a 1200 calorias por dia não é orientado para a perda de peso e pode levar a problemas como fraqueza, desmaio e, claro, efeito sanfona.

Fonte: revista Minha Vida


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O rápido aumento de casos de coronavírus no Brasil e a inclusão das gestantes e bebês no grupo de risco para a doença têm mudado a forma como muitas mulheres olham para o parto domiciliar. Em entrevista, um grupo de parteiras relatou aumento expressivo na procura por atendimento aos partos em casa em meio à pandemia.

O nascimento em casa, comum há algumas décadas, deixou de ser tradição no Brasil a partir do século 19, quando as primeiras escolas de medicina foram fundadas e o parto hospitalizado ganhou espaço. Da assistência dada por outras mulheres – mães, amigas e parteiras – e na casa da família, o parto passou a pertencer ao universo médico – majoritariamente masculino – e o corpo feminino perdeu parte de sua liberdade para parir. Há alguns anos, porém, sob o chamado fenômeno da humanização, o protagonismo da mulher na cena do parto voltou a ser discutido e, hoje, o que se vê é o aumento da procura por partos domiciliares e uma lenta redução do tabu sobre o assunto.

Mas será que é mesmo seguro?

Estudos internacionais apontam que não há diferença estatística significativa em relação a óbito fetal ou neonatal precoce se comparados os partos domiciliares e os hospitalares. O parto em casa está ainda associado à redução do risco de cesárea, parto instrumental e complicações maternas.

Mas parir em casa não é para qualquer uma e a escolha do local de parto não deve ser pautada apenas pelo medo da pandemia. Só são elegíveis ao parto domiciliar mulheres com gestações de risco habitual, em que não há qualquer doença prévia da mãe ou do bebê e o pré-natal ocorre sem complicações.

“Existem alguns critérios que aumentam a segurança do parto domiciliar: ter uma gravidez considerada de risco habitual (pré-natal normal, de qualidade, com todos os exames normais), não ter nenhuma patologia, como diabetes ou hipertensão, um bebê que esteja do tamanho adequado, na posição cefálica, não seja prematuro e que não tenha nenhuma má formação são critérios que observamos”, detalha Thais Bernardo, parteira da ComMadre, grupo de apoio ao parto da Zona Leste de São Paulo.

E como saber se você é elegível? “É importante dizer que quem pode orientar a mulher sobre se ela é ou não elegível ao parto domiciliar é uma equipe que faça partos domiciliares, que esteja habituada, e não o médico cesarista do plano de saúde”, defende Ana Cristina Duarte, obstetriz, idealizadora do Coletivo Nascer – um coletivo de atendimento humanizado ao parto em São Paulo – e coordenadora do Siaparto, Simpósio Internacional de Assistência ao Parto

Elas mudaram de ideia

Desde o início da pandemia, um terço das mulheres que planejavam ter seus partos hospitalares com o Coletivo Nascer mudou de ideia e optou por um parto domiciliar. No caso da ComMadre, a procura cresceu cerca de quatro vezes nas últimas semanas. É o caso de Elisabete Souza, Aline Cavaloti e Aline Andrade. Aqui, elas contam o que as levou a mudar de ideia.

“No começo da gestação eu pensava que o hospital era mais seguro, era esse meu senso comum, da família e dos amigos. Quando começou a quarentena, ouvi que bebês foram contaminados no hospital, e decidi me informar sobre como seria um parto domiciliar. Procuramos uma equipe especializada, pesquisamos muito e hoje me sinto segura. O primeiro fator para a decisão foi sim o coronavírus, mas hoje eu e meu parceiro não nos vemos recebendo nossa filha em outro lugar que não seja a nossa casa”, conta a administradora Elisabete de Oliveira Souza, 37 anos, grávida de 17 semanas.

A fisioterapeuta Aline Messias Silva Cavaloti, 31, também planejava um parto hospitalar, mas, com o início da pandemia, passou a temer o ambiente hospitalar. “Não fazia mais sentido para mim parir dentro de um hospital, não sentia mais segurança. Entrei em parafuso quando tudo isso aconteceu e comecei a estudar para saber se seria possível um parto domiciliar. Claro que temos um hospital de retaguarda, um planejamento para garantir a segurança, mas agora me sinto mais calma com essa escolha”, afirma a mãe, grávida de 36 semanas.

Aos 30 anos e na reta final da segunda gravidez (Lívia deve nascer neste mês), a técnica de enfermagem Aline Pereira de Andrade também sentiu a necessidade de mudar seus planos por conta do coronavírus. “Tive minha primeira filha em uma casa de parto, há cinco anos e, dessa vez, essa seria novamente a nossa escolha. Mas, em meio à pandemia, passamos a considerar o parto domiciliar e depois de muito estudo e conversa, mudamos mesmo o plano”, diz Aline.

Apesar das melhores expectativas, o planejamento de um parto domiciliar inclui a definição dos chamados planos B e C. O primeiro, seria um hospital para onde a mulher gostaria de ser transferida caso sinta, por exemplo, necessidade de uma analgesia – que não é possível no parto domiciliar. Neste caso, a transferência ocorreria sem pressa e sem riscos. Já o Plano C é um hospital a até 15 minutos de distância da casa da família, para onde a mulher e o bebê podem ser levados em caso de uma intercorrência.

“A mulher pode deixar de ser elegível durante o pré-natal, durante o trabalho de parto, ou ainda precisar de uma transferência após o parto, por retenção placentária, hemorragia pós-parto ou até alguma dificuldade do bebê em se adaptar à vida extrauterina”, explica Thais.

No parto em casa, é indispensável que haja pelo menos dois profissionais considerados técnicos, que podem ser uma obstetriz, enfermeira obstetra ou médico obstetra. Também é comum – e importante – a contração de uma doula, que ajudará a garantir o conforto e a reduzir a dor com métodos não farmacológicos. Há ainda quem opte por contratar um pediatra, mas isso não é obrigatório. “O importante é que os profissionais técnicos contratados sejam experientes e aptos a fazer uma reanimação neonatal, por exemplo, se houver necessidade”, explica Ana Cristina Duarte.

Para quem não é elegível ao parto domiciliar ou não se sente confortável com essa opção, uma alternativa é ir o mais tarde possível para o hospital. “O ideal é ficar em casa o máximo de tempo possível e ir para a maternidade apenas para a reta final do nascimento”, diz Ana Cristina. Para isso, a doula e a enfermeira obstetra ou obstetriz prestam o atendimento domiciliar e vão junto com a mulher para o hospital quando o trabalho de parto já está em fase ativa.

Outras recomendações que passaram a ser adotadas no contexto da pandemia é a alta precoce sempre que possível, 24 horas após o nascimento do bebê; o uso de paramentação pelos profissionais, que já estavam há anos em desuso no contexto do parto humanizado; e a não recomendação de visitas, tanto na maternidade quanto em casa, pelo menos enquanto durar o período de isolamento social.

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Também tem sido recomendada a redução na quantidade de profissionais na sala de parto. Alguns hospitais restringiram a entrada de fotógrafos e da doula, então vale se informar qual é a situação atual do hospital escolhido. Também é sugerido ter um acompanhante backup para o caso de a sua primeira opção apresentar sintomas do coronavírus no momento do parto.

Fonte: revista Crescer